sábado, 11 de outubro de 2008

Instalação artística? (2)

Regra geral, convencionou-se que um passeio deve ser um local desimpedido. Ou seja, livre. Ou seja, um local onde, por exemplo, um invisual, um inválido ou uma criança que começou a dar os primeiros passos há pouco tempo, possa livre e, se possível, prazenteiramente, deslocar-se sem grande esforço, a salvo de barreiras ou obstáculos.

As imagens mostram aquele que é já um enigmático objecto cujo aparecimento/desaparecimento intermitente tem fascinado quem vive para os lados da Av. Gago Coutinho.

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Tem sido, por sistema, estacionado no meio de um passeio para peões (estão a ver o que são peões, não estão, senhores responsáveis?) que, estupidamente, e à revelia do génio que ela estaciona o objecto, tentam movimentar-se no referido espaço supostamente criado para os pedestres.


Eu, se fosse à Bourgeois, cuidava-me!

Instalação artística?

Enviadas por um leitor, as imagens foram tiradas junto à Escola André de Resende, no Bairro Sra. da Saúde. Segundo o leitor, é uma situação que se arrasta há mais de dois meses, numa das mais movimentadas artérias da cidade. Pouco há a acrescentar para além do óbvio: a falta de respeito pelo transeunte é notória; o lixo acumulado e o preciosismo do banco sobre os montículos são mais um exemplo da falta de sensibilidade dos responsáveis da CME.


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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Pontapé de saída: o Rossio de S. Brás

No contexto eborense, o Rossio de S. Brás - um espaço publico excelentemente localizado e de imenso potencial - constitui uma espécie de eterno mega-paradigma no que respeita à falta de ideias e soluções dos executivos camarários no pós-25 de Abril (não falemos de outros tempos). Ou seja, há mais de 30 anos que «aquilo» está ali. Querem o melhor exemplo do amorfismo, da acefalia e da falta de coragem do poder autárquico eborense? Observem o Rossio de S. Brás.

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O estado em que se encontra o Rossio de S. Brás pode ser basicamente descrito da seguinte forma: local árido, sujo, decadente, alvo de invasões bárbaras cíclicas (o famoso «Mercado da 3.ª Feira», mensalmente, e a Feira de S. João, anualmente), pontuais (paddock de provas de automobilismo, concertos de interesse duvidoso, mostra de automóveis antigos, etc.) ou permanentes (automóveis, automóveis, automóveis).

O Rossio de S. Brás é um cadáver esquisito: enterrá-lo? ressuscitá-lo? incinerá-lo? preservá-lo em formol? Ninguém faz a mais pálida ideia do que fazer, por muito que acenem com projectos de arquitectos famosos, até à data inconsequentes.

Pelo caminho, manifesta-se por aí um grupo a que se poderia dar o nome de "idiotas úteis" (com todo o respeito pelos idiotas) que, dilecta e complacentemente, ajudam a perpetuar esta degradante situação com a suposta autoridade que se lhes atribui. Afirmam, entre outras estupendas barbaridades, que o Rossio deve continuar como está para «preservar a memória do espaço» e que as actividades que ali se desenvolvem, como por exemplo o inefável «Mercado da 3.ª Feira», ajudam o comércio intramuros (!!!).

Só não vê quem não quer. O Rossio de S. Brás merecia melhor sorte. Na situação em que se encontra, é um espaço que envergonha os eborenses, assusta os visitantes e mancha de forma indelével a imagem da cidade (que se quer de qualidade). Quem não perceber isto, não percebe mais nada.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Estatuto Editorial

1. O Évora Deluxe não pertence a, nem responde por, nenhum partido, facção ou coligação política.

2. O Évora Deluxe não está interessado em derrubar executivos, favorecer capelinhas, fomentar vagas de fundo ou dar lições de moral a quem quer que seja. Desde logo porque a culpa dos males de uma cidade não se esgota na falta de um trabalho eficiente, competente e sério do executivo camarário (embora encontre neste uma boa quota parte de responsabilidade).

3. O Évora Deluxe move-se pela vontade de denunciar e expor a céu aberto os problemas e os pontos negros da cidade de Évora, na expectativa, provavelmente arrogante e presunçosa, de se tornar útil nas acções que visem melhorar a urbe.

4. A escolha do anonimato não é inocente na exacta medida em que nunca são inocentes as tentativas de colar estas iniciativas ao partido A, à ideologia B ou ao grupinho C. A escolha do anonimato é, por isso, propositada e insere-se numa longa tradição, já esquecida em Portugal mas ainda presente e respeitada em países anglo-saxónicos (cuja autoridade em matéria de liberdades individuais os dispensa e salva de lições de carácter moralista), em que o exercício do anonimato se centra num duplo objectivo: gozar da plena liberdade que o mesmo proporciona (em matéria de estilo e de conteúdo) e anular, de forma apriorística, colagens abusivas ao poder ou aos contrapoderes instituídos.

5. Neste espaço usar-se-à, e provavelmente abusar-se-à, da ironia e do sarcasmo sem concessões à chacota ou a ataques ad hominem. Não esperem uma escrita monocórdica, formal ou «institucional». A latitude linguistica obedecerá, somente, a dois critérios: ao da boa educação e ao do bom gosto (este também subjectivo).

6. O Évora Deluxe foi criado e é animado por um eborense que vê com bons olhos a participação e colaboração activa de outros eborenses. O endereço electrónico [evoradeluxe@gmail.com] está disponível para quem quiser enviar fotografias ou relatar situações abusivas do ponto de vista arquitectónico, paisagista, da mobilidade e da organização da cidade.

6. O critérios de publicação das fotos é da inteira responsabilidade do «dono» do espaço, o qual, por questões de economia e pragmatismo, se abstém de dar satisfações a quem quer que seja - na certeza, porém, de que tudo fará para dar voz a todos os que pretendem colaborar com o envio de fotos e comentários sobre a cidade (e só sobre a cidade).

7. O fim último do Évora Deluxe é este: denunciar o inadmissível, expor o vergonhoso, apontar o ridículo, demonstrar por que razão Évora continua a ser uma cidade adiada. Se os responsáveis por esta situação se encontram no executivo, nos munícipes, nos empresários, na qualidade dos turistas, no mata-mosquito ou nas instituições que por aí pululam, cada um fará o juízo que lhe aprouver.